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Apple diz que mudanças melhoram privacidade, mas legisladores as veem como esforço para superar concorrência

Privacidade pode estar sendo usada como fator anticompetitivo


A Apple fez das proteções de privacidade uma parte central de sua marca. Mas os críticos alertam cada vez mais que o fabricante do iPhone pode estar usando a privacidade como pretexto para comportamentos anticompetitivos.

 

O surto mais recente ocorreu depois que a Apple fez alterações em seu novo sistema operacional que anunciava uma melhoria da privacidade, mas que também deu à empresa uma vantagem sobre outros fabricantes de aplicativos no uso dos recursos de rastreamento de localização do dispositivo.

 

Em seus primeiros comentários sobre o assunto, o principal democrata encarregado de uma ampla investigação antitruste contra os gigantes do Vale do Silício cita a mudança como um dos vários fatores que seu comitê vai explorar como parte de uma investigação antitruste.

 

"Estou cada vez mais preocupado com o uso da privacidade como um escudo para conduta anticompetitiva", disse o deputado David N. Cicilline, que atua como presidente do subcomitê antitruste do Judiciário da Câmara. "Existe um risco crescente de que, sem uma forte lei de privacidade nos Estados Unidos, as plataformas explorem seu papel como reguladores privados de fato, colocando o polegar na balança em seu próprio favor".

 

Localização desativada

 

Historicamente, os fabricantes de aplicativos podem pedir aos usuários permissão para rastrear sua localização, mesmo quando não estão usando o aplicativo. Isso foi útil para serviços que rastreavam onde um usuário estacionava seu carro ou onde eles poderiam ter perdido um dispositivo emparelhado ao telefone. Mas na nova atualização, os fabricantes de aplicativos não podem mais solicitar essa funcionalidade quando um aplicativo é configurado pela primeira vez - um golpe potencialmente devastador para concorrentes como Tile, fabricante de rastreadores Bluetooth que ajudam as pessoas a encontrar itens perdidos.

 

Por outro lado, a Apple controla a localização dos usuários do iPhone o tempo todo - e os usuários não podem optar por não participar, a menos que entrem profundamente no labiríntico menu de configurações da Apple. A porta-voz da Apple, Trudy Muller, disse que a empresa está trabalhando com desenvolvedores preocupados com a nova política de serviços de localização.

 

Na semana passada, Makan Delrahim, que chefia a fiscalização antitruste do Departamento de Justiça, disse em um discurso que a privacidade pode se tornar um fator maior na regulamentação antitruste nos Estados Unidos. E alguns legisladores, incluindo Cicilline, estão focados em possíveis abusos cometidos sob o pretexto de proteger a privacidade do usuário, mas que acabam beneficiando os gigantes da tecnologia.

 

De acordo com documentos recentemente vazados, o Facebook debateu internamente uma decisão em 2012 para impedir que alguns concorrentes coletassem dados valiosos dos usuários. Eles informaram ao público que estavam fazendo a alteração para proteger a privacidade. O Google também citou a privacidade como um motivo para revogar a capacidade de desenvolvedores de software externos interagirem com o serviço Gmail, atraindo críticas de desenvolvedores.

 

A Apple já havia sido criticada por um comportamento anticompetitivo em sua plataforma, com alguns fabricantes de aplicativos dizendo que a gigante da tecnologia copiou suas ideias e as replicou, forçando alguns a fechar negócios. O Comitê Judiciário solicitou informações sobre essa prática em uma carta de setembro ao CEO da Apple, Tim Cook.

 

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