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O que você precisa saber sobre os deep fakes

A tecnologia de manipulação de áudios e vídeos que virou preocupação na web


Com o avanço da tecnologia e a velocidade de informação, a falta privacidade se tornou algo preocupante, com dados pessoais podendo ser vazados por pessoas e empresas. Nos últimos tempos, porém, os problemas de privacidade vêm dividindo o espaço com os chamados deep fakes, que são uma forma de prejudicar a reputação de alguém em outro nível: criando materiais falsos, mas que parecem reais.

 

O deep fake permite trocar rostos, mudar expressões faciais e fazer parecer que alguém disse alguma coisa, criando áudios falsos. Exemplo disso são os vídeos com montagens que verídicas, como o viral de Bolsonaro usando a roupa do Chapolin durante um discurso, edição feita usando inteligência artificial. 

 

Outra vítima foi Barack Obama, que teve um vídeo seu alterado para parecer que chamou Donald Trump de "um idiota total e completo". Em 2018, outro alvo foi João Dória, que era candidato ao governo de São Paulo quando pediu a especialistas para emitirem um laudo dizendo que um suposto vídeo seu com conteúdo sexual era montagem. Outro lado emitido na época, porém, dizia que o vídeo era verdadeiro.

 

No universo de Hollywood, diversas atrizes tiveram seus rostos colocados em cenas de filmes adultos, gênero que nunca atuaram. Alguns exemplos são Gal Gadot, Taylor Swift, Selena Gomez, Ariana Grande, Emma Watson, Maisie Williams e Scarlett Johansson.

 

Para se criar um deep fake, é preciso ter conhecimento em edição de vídeo e programação. É um processo trabalhoso que torna difícil para o público identificar o que é real, criando um território fértil para a proliferação de notícias falsas. Alguns programas precisam de 20 minutos de áudio de uma pessoa falando para criar novas frases usando a voz dela.

 

A tecnologia para que isso ocorra com vídeos já existe, criada sob a justificativa de facilitar o trabalho dos editores, para consertar erros de gravação. A inteligência artificial e o aprendizado de máquina permitem colocar o rosto de uma pessoa no corpo de outra, frame a frame. Efeito semelhante a esse é o dos filtros do Snapchat e Instagram, que mapeiam as parte do rosto da pessoa para colocar máscaras e efeitos. 

 

O que isso tem a ver com privacidade?

 

A criação dos deep fakes coloca em debate o compartilhamento de informações pessoais, afinal os arquivos de áudio, vídeo e imagem são a munição que os criadores desse tipo de conteúdo precisam. É preciso ter maior cuidado com as pessoas para quem você conversa por áudio, além dos vídeos que disponibiliza na internet.

 

Se possível, não deixe vídeos publicados na internet de forma pública, por exemplo, ou hospedados em nuvem em contas de fácil acesso. Além de evitar vazamentos dos seus arquivos, você evita que eles sejam usados para criar essas manipulações. E, se você por acaso for vítima desse tipo de alteração de conteúdo, procure um advogado assim que possível.

 

Ainda há o lado positivo dos deep fakes em relação à privacidade: essa troca de identidade pode preservar as pessoas quando isso é necessário. Alguém que se sinta exposto em determinado vídeo ou foto pode ter sua face alterada, com uma tecnologia chamada DeepPrivacy. Exemplos do uso desse tipo de ferramenta são entrevistas e denúncias em que o indivíduo quer permanecer anônimo.

 

Como identificar os deep fakes

 

Existem algumas dicas para facilitar o processo de identificar se um conteúdo é verdadeiro ou não. Algumas delas são:

 

  • Desconfiar de vídeos com qualidade ruim;
  • Se atentar à falta de naturalidade de expressões faciais;
  • Cuidar as proporções entre rosto e corpo, além das luzes do ambiente;
  • Prestar atenção na sincronia entre o áudio e a boca da pessoa;
  • Assistir aos vídeos em tela cheia e em boa qualidade;
  • Verificar se a pessoa está piscando, pois os algoritmos não conseguem reproduzir isso com facilidade;
  • Pesquisar se a informação do vídeo ou foto está em veículos de credibilidade.

 

Os deep fakes também são usados para fortalecer os argumentos contra alguma pessoas, mirando justamente os haters, que podem acreditar sem questionar as notícias falsas. Quase sempre envolvem pessoas polêmicas, que dividem opiniões. Exemplo disso é a manipulação da foto da política Manuela D'ávila: em sua camiseta, trocaram a palavra "rebele-se" pela frase "Jesus é travesti". Então se estiver em dúvida sobre algum conteúdo e ele envolver uma pessoa que está no centro do debate, procure pesquisar mais. As notícias falsas procuram despertar emoções, quase sempre negativas.

 

Porém, para os que estão mais pessimistas com os deep fakes, a boa notícia é que alguns estudiosos da área afirmam que é possível colocar "etiquetas" nos metadados do arquivo falso, para facilitar a identificação do que é real ou não. E também há o uso da tecnologia que não seja negativo: além de preservar a identidade das pessoas como dito acima, pode permitir que a participação em vídeos e fotos sem estar no local de fato, o que pode beneficiar modelos e celebridades, por exemplo. Outro uso dessa ferramenta, que não chega a ser prejudicial, se assemelha ao visto na série Black Mirror, quando a inteligência artificial se baseia nos dados da pessoa para criar uma "persona" para ela após a sua morte.

 

Fato é que essa tecnologia está cada vez mais acessível e cabe aos usuários sempre verificar a fonte das informações, além de protegerem seus arquivos pessoais para não auxiliar na criação desse tipo de conteúdo falso.

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