A Era da Cibersegurança: Entre Promessas e Desafios da LGPD

Como a lei de proteção de dados está moldando o futuro da tecnologia e do consumo responsável.

17/01/2026 07:01
Em um mundo cada vez mais digital, a proteção dos dados pessoais se tornou uma prioridade inegável. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, assim como outras legislações globais, surgiu como uma resposta à crescente preocupação com a privacidade e a segurança das informações. No entanto, a implementação dessa lei não é simples e levanta questionamentos sobre o uso e o abuso de dados, especialmente quando se trata de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial (IA).

Recentemente, o Instituto de Defesa de Consumidores denunciou violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), à LGPD e ao Marco Civil da Internet, pedindo a suspensão de uma ferramenta de IA que, segundo eles, desrespeita os direitos fundamentais dos usuários. Essa situação exemplifica como a tecnologia, muitas vezes vista como a salvadora da pátria, pode se tornar um vilão nas mãos de quem não respeita a regulamentação. O que se esperava ser um avanço no atendimento ao consumidor se transforma, sob a ótica da proteção de dados, em uma afronta aos direitos individuais.

A ironia é que, enquanto se fala em investimentos significativos em startups de tecnologia voltadas para a saúde, a prática pode se desviar da ética e da legalidade. O investimento de bilhões em infraestrutura não pode ser apenas uma fachada para mascarar a falta de responsabilidade na gestão de informações pessoais. Com um cenário onde a coleta de dados se torna uma rotina, a pergunta que não quer calar é: até que ponto as organizações estão realmente comprometidas em cumprir a LGPD?

O uso indevido de dados pessoais, como o CPF, para a emissão de cobranças sem consentimento é uma realidade que muitos consumidores enfrentam. Juristas têm alertado para a gravidade dessa prática, que não apenas fere a LGPD, mas também atenta contra a dignidade e o direito à privacidade dos cidadãos. A solução, segundo especialistas, está na simplicidade: não coletar dados pessoais desnecessariamente. Afinal, atender uma mesa ou realizar uma ação de marketing não é uma justificativa válida para expor informações sensíveis.

À medida que as discussões sobre proteção de dados ganham força, é essencial que os consumidores estejam atentos. A LGPD não é uma mera formalidade; é uma ferramenta de empoderamento que deve ser utilizada para garantir que empresas e instituições respeitem os direitos dos indivíduos. Se os cidadãos se unirem em prol da transparência e da ética no uso de dados, poderão transformar essa legislação em um verdadeiro aliado na luta pela privacidade.

Neste cenário complexo, onde promessas de inovação e eficiência frequentemente colidem com a realidade da proteção de dados, é vital que todos, desde os legisladores até os consumidores, entendam seu papel. Somente assim poderemos construir um futuro digital que não apenas respeite a LGPD, mas que também valorize a dignidade e a privacidade de cada indivíduo.