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A LGPD e o Labirinto da Informação: Entre Proteção e Abuso

Entenda como a Lei Geral de Proteção de Dados se transformou em um campo de batalha para direitos e responsabilidades.


Em um mundo onde a informação é o novo petróleo, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) surge como um escudo, prometendo proteger o cidadão brasileiro de abusos e vazamentos de dados. No entanto, a aplicação dessa lei tem se mostrado um verdadeiro labirinto, onde muitas vezes, a boa intenção se transforma em entraves para o acesso à informação. Recentemente, conversas nas redes sociais revelaram a frustração de indivíduos que, ao tentar acessar documentos essenciais, se depararam com a justificativa de que a LGPD os impedia.

Um caso emblemático envolve a digitalização de documentos históricos, alguns datando do século 19, que, por conta da interpretação excessiva da LGPD, permanecem inatingíveis. Isso levanta a questão: será que a proteção dos dados pessoais pode se tornar um obstáculo ao acesso à informação pública? A resposta pode ser mais complexa do que parece, especialmente quando consideramos que o Código Penal já contempla situações de uso indevido de dados, como a emissão de cobranças sem consentimento. A LGPD, nesse contexto, deveria ser uma aliada, mas muitas vezes é vista como um entrave.

Enquanto isso, projetos de lei que buscam regulamentar melhor a LGPD tramitam no Senado, prometendo ajustes que visem a um equilíbrio entre proteção e acessibilidade. Um exemplo claro é a situação da ACNUR, que, ao emitir boletos de doação para pessoas sem consentimento, fere a própria essência da LGPD. Casos como esse não apenas expõem as falhas na aplicação da lei, mas também despertam a indignação da sociedade, que se pergunta: até onde vai a proteção e onde começam os abusos?

A realidade é que a LGPD, além de ser uma ferramenta de proteção, deve promover a responsabilidade também entre as entidades que manipulam dados. A prática de coletar informações sem necessidade, apenas para atender a burocracias internas, é uma violação não só da LGPD, mas da ética. A forma mais honesta de cumprir a lei é não coletar dados pessoais sem um motivo legítimo, algo que ainda precisa ser amplamente discutido e implementado.

Com a crescente onda de vazamentos de dados, como o recente incidente no Pornhub, onde informações de usuários foram expostas, a importância da LGPD se torna ainda mais evidente. Especialistas alertam que a responsabilidade pelo uso indevido de dados está nas mãos das empresas, que devem orientar os usuários sobre seus direitos e os riscos envolvidos. Neste cenário, a sociedade precisa estar atenta e exigir que a LGPD não seja apenas uma letra morta, mas uma verdadeira salvaguarda dos direitos do cidadão.