Os investimentos em tecnologia de saúde, embora bem-vindos, frequentemente esbarram em questões éticas e legais. Há um sentimento de que, em nome da inovação, muitas vezes se ignora a necessidade de uma regulamentação adequada. Em vez de criar um ambiente seguro para o tratamento de dados pessoais, o que se observa é uma verdadeira "farra" na interpretação da LGPD, onde até documentos do século XIX estão sendo bloqueados, alegando-se proteção de dados.
A situação se agrava quando se observa o uso inadequado de informações pessoais, como o CPF, para fins que não foram consentidos. Juristas alertam que essa prática fere os princípios da LGPD, destacando a importância do consentimento explícito na coleta de dados. Em um mundo onde até as doações são tratadas com desconfiança, a transparência e a ética no uso de informações pessoais se tornam essenciais.
Adicionalmente, a recente onda de vazamentos de dados, como o caso do Pornhub, traz à tona as responsabilidades das plataformas digitais. A LGPD não é apenas uma diretriz, mas uma ferramenta poderosa que pode garantir direitos aos usuários, obrigando as empresas a serem mais transparentes e proativas na proteção das informações que coletam. Nesse contexto, a mensagem é clara: não basta apenas coletar dados; é preciso fazê-lo de forma ética e responsável.
Assim, ao olharmos para o futuro da saúde digital e o papel da LGPD, é preciso que haja um equilíbrio entre inovação e proteção. A regulamentação não deve ser vista como um obstáculo, mas sim como um guia para que possamos avançar de forma segura e sustentável. Afinal, em um mundo onde os dados são o novo petróleo, a forma como os tratamos pode determinar não apenas o sucesso das startups, mas também a confiança do público em um setor tão vital como a saúde.