Em 2024, quando voltei a realizar entrevistas, percebi uma mudança significativa nas conversas. Antes, havia uma pressão implícita para utilizar Inteligências Artificiais generativas como mera "muleta" em nossas atividades. Mas agora, a pergunta que ecoava era: "Quais são os seus limites em relação à LGPD?" A preocupação com o vazamento de dados não era mais uma abstração; havia um reconhecimento geral de que, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. A LGPD, que antes parecia uma letra morta, agora começava a moldar a cultura corporativa.
Mas a realidade é que muitos ainda parecem ignorar a gravidade da situação. Um dos maiores absurdos que testemunhei foi a prática comum entre corretores de imóveis que utilizam serviços como o "Fisgar", que coleta informações pessoais de forma ilegal para prospectar clientes. Isso não é apenas uma violação da LGPD, mas também uma ofensa à confiança que os consumidores depositam nas empresas. A sensação de estar sendo monitorado, de não ter controle sobre as próprias informações, é angustiante.
A LGPD deveria ser um guia, um farol em meio à tempestade de informações que nos cercam. No entanto, muitas empresas ainda lavam as mãos, alegando que estão em conformidade, enquanto na prática, continuam a violar os direitos dos cidadãos. Quando fui à nova academia e me disseram que era obrigatório o uso de reconhecimento facial ou digital para entrada, questionei sobre alternativas. A resposta foi decepcionante: não havia. E assim, mais uma vez, percebi que a lei, que deveria proteger, acaba sendo uma barreira desnecessária à privacidade.
O que nos resta, então? A conscientização e a educação sobre a LGPD são essenciais. Precisamos exigir que as empresas sejam mais transparentes e responsáveis no tratamento de nossos dados. A proteção de informações pessoais não deve ser encarada como um fardo, mas sim como um direito fundamental. Enquanto a água não parar de subir, é nosso dever lutar por uma cultura que respeite a privacidade e a dignidade de cada indivíduo. Afinal, em um mundo onde os dados são a nova moeda, a proteção deles é, sem dúvida, uma questão de sobrevivência.