LGPD: Entre Promessas e Desafios na Era Digital

Entenda como a Lei Geral de Proteção de Dados se tornou uma faca de dois gumes no cenário da tecnologia e da saúde.

10/01/2026 07:01
Em um mundo cada vez mais digital, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) surge como um dos principais pilares da privacidade e da proteção de dados pessoais no Brasil. Contudo, sua implementação tem se mostrado um verdadeiro campo de batalha entre inovação e regulamentação. Enquanto startups investem bilhões em promessas tecnológicas, muitos se perguntam: será que estamos realmente protegidos ou apenas procrastinando uma crise de privacidade?

Um exemplo claro dessa tensão é a recente movimentação no setor de saúde, onde grandes quantias estão sendo alocadas para o desenvolvimento de tecnologias que, em muitos casos, podem estar em desacordo com a LGPD. A criação de novos leitos e a digitalização de documentos são essenciais, mas a forma como esses dados estão sendo coletados e tratados levanta sérias preocupações. Afinal, como garantir que informações sensíveis não sejam utilizadas sem o devido consentimento, especialmente quando estamos lidando com dados de saúde?

A crítica à LGPD não se limita apenas à sua aplicação nos setores emergentes. Existem relatos de documentos do século 19 sendo bloqueados sob a justificativa da lei, o que gera um paradoxo: ao tentar proteger, acabamos por inviabilizar serviços essenciais. A regulamentação precisa de ajustes, pois o uso indevido de CPF para cobranças sem consentimento é uma realidade que fere o espírito da LGPD. Como cidadãos, é nosso dever exigir que a lei não seja apenas uma ferramenta de burocracia, mas um verdadeiro escudo contra abusos.

Por outro lado, não podemos esquecer que a LGPD também tem um papel importante na responsabilização de plataformas digitais. Um caso recente envolvendo o vazamento de dados no Pornhub exemplifica bem essa situação. Após um ataque cibernético que expôs informações de usuários premium, a plataforma teve que se mobilizar rapidamente para proteger contas e investigar o incidente. Essa responsabilidade é uma das consequências diretas da LGPD, que exige que as empresas sejam transparentes e proativas na proteção dos dados de seus usuários.

Assim, o desafio que se coloca diante de nós é claro: precisamos encontrar um equilíbrio entre inovação e proteção de dados. A LGPD não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma oportunidade para construir um futuro digital mais seguro e ético. A verdadeira questão é: estamos prontos para abraçar essa mudança e garantir que a privacidade seja respeitada em todas as esferas da sociedade?