Um dos pontos mais críticos da LGPD é a falta de conscientização sobre os direitos dos consumidores. Muitos brasileiros assinam contratos sem ler as cláusulas que permitem o compartilhamento de dados com terceiros, sem entender as implicações disso. A experiência de um usuário que, ao tentar acessar um empréstimo consignado, se depara com a exigência de compartilhar dados pessoais excessivos, ilustra como a proteção de dados ainda é uma miragem. As instituições financeiras, que deveriam ser guardiãs da privacidade, muitas vezes agem como se a LGPD não existisse, vendendo informações pessoais para fins comerciais.
Não é raro ver pessoas expressando sua indignação nas redes sociais, apontando a falha da LGPD em proteger seus dados. A ironia de um funcionário do INSS que, em vez de proteger, vende listas de aposentados para financeiras, é um retrato sombrio da realidade. Essa situação não só compromete a confiança dos cidadãos nas instituições, mas também levanta questões sobre a eficácia da lei em um país onde a fiscalização parece ser uma mera formalidade.
A LGPD, que deveria ser um escudo contra abusos, muitas vezes se transforma em um papel sem valor. Embora haja um movimento crescente de conscientização sobre a importância da proteção de dados, a verdade é que a aplicação da lei ainda é um desafio. As empresas precisam ser responsabilizadas por suas ações e a fiscalização deve ser rigorosa. Sem isso, a lei se tornará apenas mais uma promessa vazia, esquecida em meio a contratos longos e letras miúdas.
Para que a LGPD cumpra seu verdadeiro papel, é essencial que haja um esforço conjunto entre cidadãos, empresas e órgãos reguladores. A educação sobre direitos e deveres deve ser uma prioridade, assim como a implementação de práticas que respeitem a privacidade dos usuários. O Brasil precisa não apenas de uma lei, mas de uma cultura de respeito à privacidade, onde a proteção dos dados pessoais se torne uma realidade palpável e não apenas um desejo.