LGPD: O Desafio de Regulamentar a Proteção de Dados em um Mundo Digital

Entenda como a LGPD pode ser uma faca de dois gumes na era da informação.

04/01/2026 07:01
Em um mundo onde a digitalização avança a passos largos, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) surgiu como um farol para proteger a privacidade dos cidadãos brasileiros. No entanto, o que deveria ser uma ferramenta de segurança muitas vezes se transforma em um entrave. A regulamentação da LGPD é um tema que gera debates intensos, especialmente quando se trata de documentos antigos e da necessidade de modernização dos serviços públicos. A ideia de estatizar cartórios e digitalizar documentos pode ser um caminho, mas como garantir que isso seja feito sem ferir as diretrizes da lei?

Recentemente, surgiram críticas sobre o uso excessivo da LGPD como justificativa para bloquear acesso a documentos datados do século 19. A ironia é que já temos um código penal que aborda esses casos. A lei, que deveria proteger, acaba por criar barreiras desnecessárias, prejudicando o acesso à informação e à justiça. É nesse contexto que surgem propostas no Senado, visando corrigir distorções e regulamentar a aplicação da LGPD de maneira que atenda a sociedade de forma justa. Afinal, proteger dados pessoais não deve se tornar uma desculpa para desinformação.

Um caso emblemático é o do ACNUR, onde foram emitidos boletos de doação para pessoas que nunca tiveram contato com a organização. Esse tipo de ação fere os princípios da LGPD, que exige consentimento claro para a coleta e uso de dados pessoais. Juristas alertam que o uso de dados públicos para emissão de cobranças sem autorização explícita é uma violação grave da lei. E aqui surge a pergunta: até que ponto estamos dispostos a sacrificar a nossa privacidade em nome da conveniência?

Ademais, a epidemia de sites de apostas levanta outra questão sobre a segurança dos dados. A insegurança em relação à utilização do CPF é um flagelo que afeta a todos. O simples fato de que nossos dados podem ser utilizados sem nossa autorização para fins de marketing ou cobrança gera um sentimento de vulnerabilidade. Em um cenário onde um simples clique pode resultar em um vazamento de dados, como o ocorrido no Pornhub, onde informações de usuários foram expostas, é fundamental que as plataformas e empresas estejam cientes de suas responsabilidades sob a LGPD.

Por fim, o cumprimento da LGPD não deve ser visto como uma obrigação pesada, mas sim como uma oportunidade de criar um ambiente digital mais seguro e ético. Empresas e indivíduos precisam se adaptar a essa nova realidade, buscando não apenas cumprir a legislação, mas entender a importância da proteção de dados em um mundo cada vez mais conectado. O caminho para a regulamentação da LGPD é desafiador, mas essencial para garantir que a privacidade e a dignidade do cidadão prevaleçam em meio ao turbilhão da era digital.