No Brasil, a implementação da LGPD deveria ser um divisor de águas. Com a chegada das big techs e a promessa de data centers em solo nacional, muitos acreditavam que a proteção dos dados seria mais robusta e que as empresas se adequariam às legislações locais. No entanto, a experiência prática mostra que, mesmo com a legislação vigente, a exposição de dados se tornou uma prática comum. A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a própria LGPD deveriam ser suficientes para garantir a segurança dos dados, mas na prática, a realidade é bem diferente.
A desconfiança em relação ao cumprimento da LGPD cresce quando observamos casos em que empresas atuam como intermediadoras de crédito, comprando dívidas antigas e enviando e-mails sem autorização. Isso levanta a questão: de que adianta uma lei se as empresas não a respeitam? A sensação é que, em vez de promover proteção, a LGPD se torna uma letra morta, ignorada por aqueles que deveriam cumpri-la. E, em um cenário onde até mesmo perfis de influenciadores são investigados por fraudes, fica claro que a desobediência às normas é um fenômeno comum.
A situação se agrava ainda mais quando consideramos as novas propostas, como o ECA Digital, que prometem proteger as crianças, mas exigem que os pais forneçam dados pessoais em troca. Isso não é proteção, mas sim um convite ao desrespeito à privacidade. A ideia de que, para proteger, precisamos expor ainda mais as informações pessoais é contraditória e perigosa. As soluções apresentadas para verificar a idade e a segurança online devem seguir rigorosamente as diretrizes da LGPD e do ECA, mas a implementação prática dessas regras é um desafio constante.
Em suma, a LGPD é uma ferramenta poderosa que, se devidamente aplicada e respeitada, pode realmente proteger os dados pessoais dos cidadãos. Contudo, a luta pela privacidade e segurança em um mundo digital repleto de brechas e desrespeito é contínua. Precisamos nos unir para exigir que as leis sejam cumpridas, e que a proteção de dados não seja apenas uma promessa, mas uma realidade efetiva na vida de todos os brasileiros.