LGPD: O Desafio de Proteger Dados em um Mundo Digital Descontrolado

Como a Lei Geral de Proteção de Dados se torna um escudo em meio a promessas vazias e práticas duvidosas.

16/01/2026 07:01
Em um mundo cada vez mais conectado, onde a tecnologia avança a passos largos, a proteção dos dados pessoais se torna uma questão primordial. Recentemente, o Instituto de Defesa de Consumidores enviou um ofício alertando sobre violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), à LGPD e ao Marco Civil da Internet, pedindo a suspensão de uma nova ferramenta de inteligência artificial. Esse episódio revela não apenas a fragilidade da nossa legislação, mas também a necessidade urgente de um debate mais profundo sobre como a tecnologia deve interagir com direitos fundamentais.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi criada com a intenção de garantir que os cidadãos tenham controle sobre suas informações pessoais. No entanto, a prática muitas vezes se choca com a teoria. O investimento em startups de tecnologia em saúde, por exemplo, é frequentemente acompanhado de promessas de resultados que podem acabar se transformando em um balaio de promessas vazias, onde a proteção de dados se torna apenas uma letra morta no papel. A realidade é que, enquanto se falam em bilhões de reais sendo investidos, observamos a criação de leitos a um custo exorbitante, enquanto a segurança e a privacidade dos dados dos cidadãos ficam em segundo plano.

É importante lembrar que a LGPD não está sozinha nesse desafio. O Código Penal já contempla situações de uso indevido de dados, e legislações como a Lei Carolina Dieckmann e a Lei Maria da Penha também se aplicam a casos de violação de privacidade. Com projetos de lei em tramitação no Senado, a pressão para que essas questões sejam tratadas com a seriedade que merecem é crescente. O que se espera é que, com a regulamentação adequada, possamos ver a LGPD sendo aplicada de forma rigorosa, não apenas como um conceito, mas como uma realidade que protege os cidadãos.

Um exemplo emblemático do desvio de dados é o caso do ACNUR, onde boletos de doação foram enviados a pessoas que nunca haviam se relacionado com a organização. Essa prática não apenas fere o princípio da consentimento explícito da LGPD, mas também coloca em evidência a irresponsabilidade de utilizar dados públicos de forma inadequada. Juristas alertam que essa abordagem não só é antiética, mas também ilegal, alertando sobre as consequências que podem advir do uso indevido de informações pessoais.

Para que a LGPD cumpra seu papel de proteção, é fundamental que as empresas adotem uma postura proativa em relação à coleta de dados. O caminho mais honesto é evitar a coleta desnecessária de informações pessoais. A verdade é que, em um universo repleto de dados, o que realmente importa é a ética na sua utilização. Como consumidores, precisamos exigir mais transparência e responsabilidade das empresas, e como sociedade, devemos continuar a lutar por uma legislação que realmente defenda nossos direitos e privacidade. Afinal, em um mundo onde os dados são o novo petróleo, a proteção deles deve ser uma prioridade inegociável.