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Clubhouse: como fica a LGPD e a privacidade?

O que você precisa saber antes de usar a rede social de conversas em áudio


A rede social do momento é baseada em conversas de áudio e permite ouvir conteúdo trocado entre pessoas, sejam anônimos ou famosos, e participar da conversa. O aplicativo Clubhouse, por enquanto disponível somente para usuários de IOS que tenham convite, está dando o que falar na internet e na mídia.

 

É possível entrar em salas divididas por temas, como marketing, tecnologia, negócios, etc. Entre 30 de janeiro e 6 de fevereiro, as buscas pelo termo Clubhouse cresceram 525% na internet. Já estão usando o app celebridades internacionais como Elon Musk e Oprah Winfrey e, aqui no Brasil, até mesmo o Boninho, diretor do BBB.

 

E a privacidade dos dados, como fica? 

 

O conteúdo compartilhado por meio do Clubhouse é efêmero. As conversas não podem ser gravadas e também não ficam armazenadas na plataforma. É quase como se fosse uma emissora de rádio, você deve ouvir o que está sendo veiculado na hora. Além das conversas em grupo, é possível criar chats privados.

 

Somente podem ser acessados posteriormente os áudios, que não são criptografados, pela equipe da plataforma. O acesso só se dará em casos de incidentes em que alguém denunciar o uso indevido do app ou ação criminosa. Nesses casos, o áudio será acessado para investigação, mas ele não fica disponível para os usuários ouvirem depois.

 

Essa falta de registros pode acabar facilitando para que pessoas emitam opiniões sem pensar ou mesmo que ofendam alguém ou determinados grupos. Por isso, é importante denunciar sempre que ouvir algo do tipo no Clubhouse.

 

Em entrevista à Vanity Fair, a empresa responsável afirmou que "condena todas as formas de racismo, discurso de ódio e abuso, conforme observado em nossas Diretrizes da comunidade e Termos de Serviço, e tem procedimentos de confiança e segurança em vigor para investigar e resolver qualquer violação dessas regras".

 

O aplicativo nasceu em maio do ano passado e está crescendo em proporções gigantescas. Nesse sentido, é importante observar se a conformidade com as leis de proteção de dados, sejam da Europa, Estados Unidos ou a lei brasileira, está indo de acordo.

 

Ao mesmo tempo em que existe o esforço de aumentar a base de usuários e a quantidade de dados tratada, é preciso que a demanda por proteção de dados dentro da empresa esteja crescendo. De acordo com o Tek Deeps, o Clubhouse está de acordo com a lei de proteção de dados da Califórnia, mas não está em conformidade com a GDPR europeia. Uma parte da lei europeia que o app não está de acordo é a de informar aos usuários sobre como os dados são processados.

 

Dicas para quem usa ou quer usar o app

 

A primeira coisa que você precisa saber antes de aproveitar o conhecimento compartilhado e o entretenimento do Clubhouse, é ler os Termos de Uso da ferramenta. De acordo com esse documento, o app tem acesso aos seus contatos, por exemplo, então é algo que você deve saber antes de concordar com as regras. Segundo a empresa, o acesso aos contatos ocorre para que o app sugira novas conexões dentro da plataforma. Todos os contatos de sua agenda são salvos no servidor do Clubhouse.

 

Também existem regras básicas para o usar o Clubhouse, como ter pelo menos 18 anos, não utilizar foto ou nome falsos, não reproduzir os áudios ouvidos na plataforma sem permissão, não fazer spam, entre outras.

 

Você também deve ter em conta que o uso comercial do aplicativo não é permitido. Ou seja, você pode fazer trocas de conhecimento e networking para ter benefícios profissionais, mas não tentar vender produtos e serviços diretamente.

 

Fazendo isso, você faz com que os outros usuários se sintam invadidos e pouco à vontade na plataforma, correndo o risco de ser banido do aplicativo. Então fique atento às regras para saber o que você pode falar!

 

Se você se sentir invadido ou ofendido por algum usuário, além de denunciar, você pode bloqueá-lo, pelos 3 pontos verticais na plataforma. Os usuários bloqueados não podem ver nem interagir com salas de conversa que você criar.

 

Conclusão

 

Para finalizar, o aplicativo Clubhouse está de acordo com algumas diretrizes de privacidade e proteção de dados, mas não todas. É preciso ler com atenção os Termos de Uso e a Política de Privacidade antes de utilizar a ferramenta.

 

Por enquanto, o app não tem um concorrente com a mesma proposta, que é a de conversas por áudio em tempo real, então pode não sentir prejuízos imediatos ao não ajustar suas políticas. O mesmo não aconteceu com o WhatsApp, por exemplo, que atualizou seus termos e acabou fortalecendo o concorrente Signal.

 

Fique atento, conheça os direitos que você tem sobre seus dados e contribua para que o aplicativo fique melhor ao reportar situações indevidas.

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